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Arrastões
no Morumbi estão mais freqüentes
O Estado
de S. Paulo
15/06/2007
O empresário Carlos Magno
Gibrail, presidente da Sociedade dos Moradores do
Morumbi, afirma arrastões em áreas consideradas
até então as mais seguras do bairro
estão se tornando mais freqüentes. “Atualmente,
não é porque fica do lado do Palácio
dos Bandeirantes que não vai ter assalto”,
diz. “Os moradores se iludem, acham que vigilantes
e portões vão resolver o problema. É
preciso investir em tecnologia, isso sim.”
No dia 16 do mês passado, dois
criminosos invadiram uma casa à venda na região,
renderam um corretor e saltaram o muro para invadir
a casa de um engenheiro, de 71 anos. Ele e a empregada,
de 46 anos, estavam no local. Juntaram R$ 4 mil, US$
4 mil, além de jóias. A polícia
chegou a cercar a casa. O engenheiro escapou, mas
a empregada foi feita refém. Os criminosos
acabaram se entregando. Um deles era presidiário
beneficiado pela saída dos Dias das Mães.
Em 24 de abril, outra casa do Morumbi
foi invadida por um bando. Três homens da quadrilha
estavam disfarçados com roupas de gari. Um
corretor, a mulher, dois filhos e a empregada foram
rendidos pelos ladrões. Dois assaltantes foram
presos - um recém-saído da cadeia. O
resto do grupo fugiu pelos fundos.
Onze dias antes, outra ação
no bairro. Criminosos encapuzados renderam um colecionador
de armas. Além do arsenal do dentista, os assaltantes
levaram US$ 5 mil e R$ 1 mil. Fugiram com o Corolla
da vítima.
» ASSALTOS A CONDOMÍNIOS
Há dois anos, o especialista
em segurança Jorge Lordello pesquisa dados
referentes a assaltos a condomínios de São
Paulo. Segundo ele, com base em boletins de ocorrência,
54% das invasões ocorre entre 18h30 e 23 horas,
período em que os moradores da Rua Grumete
Sandoval Santos foram rendidos.
A maioria das invasões acontece
pela portaria principal (51%), onde vigias podem ser
facilmente rendidos. “No mercado de segurança
atual, há uma moda de colocar segurança
na porta achando que aquilo vai melhorar a proteção
do local”, diz. “Mas isso é falso.
O despreparo desses vigias, que estão desarmados,
ajuda os criminosos”, afirma.
Na vila de oito casas no bairro do
Brooklin, na zona sul, onde o comerciante Amílton
Belachi mora há cerca de 15 anos, a segurança
feita por profissionais já foi tema de muitas
discussões entre os vizinhos. Alguns queriam
investir em câmeras, portão eletrônico
e vigias, enquanto outro grupo detestava a idéia
com medo de perder a privacidade. “Continuo
não querendo”, diz ele, que nunca teve
o seu sobrado assaltado.
“Acho que incrementar a segurança
desse jeito vai contra tudo o que uma vila representa.
Colocamos só um portão alto de ferro,
com um interfone para chamar os moradores. Sem vigia.
Minha esposa morre de medo quando ouve falar de arrastões,
mas, se fosse para viver cercado de grades, eu iria
para um prédio.”
Segundo o especialista Jorge Lordello,
de fato é mais complicado evitar assaltos a
casas. “É preciso redobrar a atenção
(quem mora em casa). Uma boa dica é ter uma
forte iluminação na rua e reparar se
não há pessoas estranhas no entorno.
Às vezes, a própria presença
de um portão na entrada da rua pode atrapalhar,
pois não dá para ver o que está
acontecendo dentro da vila ou do condomínio
de casas.”
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