| Como
se proteger de assaltos
Jornal O Globo
10/05/2008
O empresário João
Bosco Charra, de 52 anos, que levou dois tiros durante
uma "saidinha de banco" na tarde de quinta-feira
no Leblon, morreu ontem de manhã no Hospital
Miguel Couto. O comandante do 23º BPM (Leblon),
tenente-coronel Carlos Milan, disse que o crime foi
premeditado e que a vítima foi seguida pelos
bandidos. Já o inspetor Demétrio Neto,
da 14ª DP (Leblon), responsável pela investigação
do caso, informou já saber que o mandante do
crime é um conhecido da vítima e que
os assassinos aguardavam Charra no local em que ele
foi atacado.
O empresário almoçou com um funcionário
num restaurante da Barra, com uma bolsa contendo R$50
mil. Segundo Demétrio Neto, que disse ter descoberto
todos os passos do empresário antes do crime,
Charra, em seguida, foi à agência do
Banco Itaú em frente ao BarraShopping, onde
sacou mais R$50 mil. Entregou ao empregado R$11 mil
para fazer pagamentos e seguiu para o Leblon com R$89
mil na bolsa, para comprar uma retroescavadeira usada
para sua empresa de terraplenagem, a Tapi, que fica
em Curicica, Jacarepaguá.
Charra acabara de estacionar o carro, um Golf, na
Avenida Ataulfo de Paiva, quando foi abordado por
um bandido, sem capacete, que estava na carona de
uma moto sem placa. Quando ordenaram que ele passasse
a bolsa onde guardava o dinheiro, o empresário
ainda teria dito ao assaltante: "Que brincadeira
é essa?".
De segunda-feira até anteontem, ocorreram
cinco assaltos com o uso de motocicletas no Leblon.
Pouco antes do ataque a João Bosco, a administradora
de empresas Érica Carvalho, de 36 anos, foi
assaltada na Avenida Delfim Moreira por motoqueiros.
Ela havia sacado R$60 mil numa agência do Banco
Real da Gávea para comprar, de um amigo, artigos
de uma loja no bairro. Na delegacia, um homem branco,
de cerca de 30 anos, foi parcialmente identificado
no álbum de fotos da polícia como sendo
um dos criminosos.
- Esse sujeito já aprontou muito por aqui.
Já temos equipes atrás dele - disse
Demétrio.
De acordo com a última estatística
divulgada pelo Instituto de Segurança Pública
(ISP), foram registradas no estado 165 "saidinhas
de banco" em janeiro, um aumento de 4,4% em relação
ao mesmo mês de 2007. Em todo o ano passado,
foram 2.210 casos, uma média de seis por dia.
Delegado licenciado, pesquisador criminal e especialista
em segurança, Jorge Lordello escreveu o livro
"Como conviver com a violência" (Editora
Moderna) em que dá sugestões de como
se prevenir de crimes. Ele entrevistou cerca de 1.200
bandidos, mais de 1.800 vítimas e dezenas de
policiais para afirmar ser possível "reduzir
quase a zero o risco de assalto e seqüestro".
A pedido do GLOBO, ele listou algumas sugestões:
1: Não faça qualquer
negócio utilizando dinheiro vivo. Há
um ditado antigo que diz que "onde tiver dinheiro,
há a possibilidade de crime". Prefira
sempre o uso de cheque ou depósitos eletrônicos,
junto ao caixa do banco.
2: A segurança na rua começa
dentro de casa: não deixe documentos desnecessários
na carteira. Se você é motorista e
possui a nova CNH, deve aposentar todos os outros
documentos. Quem não dirige deve portar apenas
a carteira de identidade (RG).
3: Cautela extrema ao sacar dinheiro
em bancos, principalmente em dia de pagamento ou
com grande movimentação de pessoas.
Converse com seu gerente e pergunte sobre os dias
em que a agência bancária é
mais tranqüila.
4: Reduza o número de cartões
de banco e de crédito na carteira.
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