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O
aposentado é a vítima
Jornal
da Tarde
José Dacauaziliquá
19/05/2007
Quadrilhas estão se especializando
cada vez mais em tirar dinheiro de idosos, aposentados
e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social
(INSS). Nos golpes mais novos, os estelionatários
oferecem brindes para enganar as vítimas e
até freqüentam a porta dos fóruns,
se passando por advogados capazes de fazer qualquer
processo na Justiça deslanchar.
O JT enumerou pelo menos seis modalidades
de “armadilhas”, a maioria envolvendo
o INSS no enredo. “As quadrilhas se aproveitam
do medo que o aposentado tem de perder o benefício
para aplicar os golpes”, alerta o especialista
em segurança Jorge Lordello.
» RECADASTRAMENTO
Por telefone, vítima passa dados pessoais e
senha da conta
Neste golpe, o estelionatário
liga para o segurado e diz que é do INSS. O
argumento é que precisa atualizar os dados
pessoais do segurado para recadastrar a aposentadoria
e impedir seu cancelamento. “Com medo, a vítima
passa informações e senha para mexer
na conta. Quando a pessoa se recusa a dar a senha,
o criminoso diz que o segurado não precisa
dizer os números, basta digitar no teclado
do telefone. Como a quadrilha tem o aparelho que reconhece
senha, a quadrilha descobre o número para sacar
dinheiro”, alerta o especialista Jorge Lordello.
Segundo o INSS, recadastramento é feito uma
vez por ano, pessoalmente. Ninguém deve dar
número de benefício ou senha.
» PROCESSO
Bandido ‘disfarçado’ de advogado
Outra armadilha é a do falso
advogado. Ele aborda pessoas na porta de um fórum
e diz que tem condições de agilizar
o processo e o pagamento de indenização.
Iludido, o idoso concorda em depositar uma quantia
para o golpista “subornar “ os funcionários
da Justiça. O criminoso pega o dinheiro e some.
» EMPRÉSTIMO
CONSIGNADO
É o golpe mais novo e mais freqüente
O golpe mais novo é o do empréstimo
consignado (leia mais na pág. 12A), forma de
financiamento a juros mais baixos que os cobrados
pelo mercado e com desconto das parcelas direto no
pagamento da aposentadoria. Os criminosos se dizem
funcionários do INSS e afirmam que o órgão
está dando um presente, como um filtro de água,
para o segurado. Dizem ainda que, para levar o brinde,
é preciso preencher uma ficha com dados pessoais,
além de assinar papel autorizando a instalação
do filtro.
Com os dados pessoais da vítima
e a assinatura, os bandidos vão até
um banco, se passam pela pessoa, e fazem o empréstimo.
Segundo João Batista Inocentini, presidente
do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas
e Idosos, da Força Sindical, esse tipo de fraude
atinge 8% dos empréstimos concedidos aos aposentados.
O aposentado Wilson Vidal de Melo,
54 anos, foi uma das vítimas. Ao sacar o benefício,
percebeu dois descontos: um de R$ 141,30 e outro de
R$ 235,50, parcelas referentes a dois empréstimos,
respectivamente de R$ 3 mil e R$ 5 mil, ambos no banco
BMG. “Registrei queixa na delegacia, procurei
o banco e o sindicato dos aposentados para provar
que não tinha feito o empréstimo.”
Ele teve as parcelas dos empréstimos
descontadas por dois meses até o banco reconhecer
a fraude, cancelar a cobrança e devolver o
dinheiro.
» O CONTO DA LOAS
Criminoso vai até a casa da vítima
O golpista se passa por funcionário
do INSS e vai até a casa da vítima que
nem sempre recebe ou tem direito à aposentadoria.
O bandido garante o pagamento de um salário
mínimo de benefício desde que o idoso
pague antecipadamente uma taxa que varia de R$ 200
a R$ 300. O direito ao benefício estaria, segundo
o golpista, previsto na Lei Orgânica de Assistência
Social (Loas) . Só que a lei prevê o
benefício só para quem não recebe
benefício do INSS, tem pelo menos 65 anos ou
é deficiente, e tem renda familiar igual ou
inferior a R$ 95. Com o dinheiro na mão, o
homem some. O INSS informa que não cobra nada
para liberar qualquer benefício.
» INDENIZAÇÃO
Idoso acredita ter dinheiro a receber
Há também o golpe da
indenização. O estelionatário
liga para a casa do idoso e diz que a vítima
tem direito a receber dinheiro de um processo que
está sendo movido contra o governo ou um banco.
Mas para que ele seja beneficiado tem de pagar as
despesas do advogado. A pessoa acredita na história
e deposita o dinheiro na conta de um “laranja”,
ou seja, uma pessoa que não tem nada a ver
com o criminoso. O idoso espera, à toa, pelo
dinheiro da indenização que nunca chega.
O falso advogado some.
» TROCA DE CARTÃO
‘Ajuda’ criminosa dentro do banco
Há também o “golpe
do bonzinho”, aplicado nas agências bancárias.
O sistema é simples: com cara de amigo, o criminoso
se oferece para ajudar o idoso a realizar a operação
bancária no caixa eletrônico. O primeiro
passo do golpista é pedir a senha - ou então
olhar por cima do ombro do correntista para ver os
números digitados. Em seguida, cita problemas
como defeito na tarja magnética e dá
um jeito de trocar o cartão por outro do mesmo
banco. Com o cartão, usa empréstimo
pré-aprovado, saca dinheiro e faz compras.
Os bancos recomendam nunca aceitar ajuda de estranhos.
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