| Presos
que receberam indulto de Páscoa cometem crimes
no ABC
Diário Regional
Camila Galvez
Abril/2008
"Indulto
de Páscoa: Pelo menos 5% dos que saíram
por meio do benefício
ainda não retornaram
aos presídios"
A autorização
para saída temporária em feriados e
datas comemorativas, conhecida como indulto, é
concedida aos condenados do Sistema Penitenciário
do Estado de São Paulo que apresentam bom comportamento
e redução gradual da pena. No último
feriado de Páscoa, 2.971 presos receberam o
benefício na Grande São Paulo. Até
a sexta-feira (28), pelo menos 156 deles, ou seja,
5,25%, ainda não haviam retornado. Em comparação
com o último feriado no qual o benefício
foi concedido (Natal e Ano Novo), a porcentagem se
manteve estável, de acordo com a Secretaria
de Administração Penitenciária.
Durante o período,
pelo menos dois crimes cometidos por presos que receberam
indulto foram registrados no ABC paulista. Ilson Melo
dos Santos, que cumpria parte da pena de 18 anos na
Colônia Penal Agrícola de Pacaembu, no
interior paulista, foi preso na tarde de domingo (23)
quando assaltava uma residência em Santo André.
O outro caso registrado foi de um assalto que começou
na Vila Alpina. O bando de cinco homens, sendo que
um deles havia recebido o benefício, assaltaram
uma casa e fugiram para São Caetano, onde ocorreram
perseguição policial e tiroteio na madrugada
do dia 21.
De acordo com o advogado
e professor de Direito da Faculdade Rio Branco Antônio
Carlos Malheiros, a idéia de conceder o indulto
aos presos é favorável, ainda que alguns
deles cometam crimes ou não retornem aos presídios
após o prazo estabelecido pela Justiça.
“O benefício do indulto estimula o condenado
a se adaptar ao retorno à sociedade. A maioria
retorna para cumprir o resto da pena de forma mais
pacífica, e as chances de perdão integral
aumentam”, opina.
Já para o especialista
em segurança Jorge Lordello, o indulto deveria
ser proibido, bem como outras práticas de redução
de pena. “Trata-se de uma regalia desnecessária,
mesmo porque, cadeia não é para recuperar,
e sim para punir”, afirma. Lordello acredita
que o Brasil deveria seguir o modelo norte-americano
de progressão de penas, no qual o preso só
recebe o benefício após cumprir 50%
da condenação e com o consentimento
da vítima. “O modelo penitenciário
utilizado no país está ultrapassado
e prioriza o indivíduo, não o coletivo.
A vítima é esquecida e o preso que tem
um suposto bom comportamento volta para a rua para
cometer crimes”, destaca.
Para o especialista, não
basta apenas a reformulação do sistema,
mas um investimento maior na educação
dos brasileiros.
VOLTAR AO ÍNDICE
|