| Especialista
ensina como evitar situações de risco
Jornal O Estado de S.
Paulo
25/01/2001
O delegado de polícia
e pesquisador criminal Jorge Lordello comentou a má
pontuação de São Paulo em uma
classificação internacional de cidades
violentas, feita a partir de um levantamento preparado
pela empresa londrina Control Risks, especializada
em segurança. De acordo com o estudo, a capital
paulista recebeu nota 5, em um ranking que vai de
1 a 7. Para minimizar os problemas da violência
em São Paulo, o especialista defende modificações
nas legislações Penal e Processual Penal
que, em sua opinião, são "muito
benevolentes".
Lordello acredita que a legislação
dá brechas para esta onda de violência,
que não assola somente a cidade de São
Paulo. Ele citou como exemplo a punição
por porte de arma sem licença: "Se uma
pessoa estiver portando arma ilegalmente para ser
liberada deve pagar uma fiança de apenas R$
30 e ainda responde a processo em liberdade. Isso
é um incentivo ao crime e propicia uma sensação
de impunidade", disse ele.
A partir de um estudo realizado entre
1996 e 97 - que acabou rendendo o livro "Como
conviver com a violência" (Editora Moderna)
- Lordello pôde concluir que mesmo a polícia
desconhece os métodos de prevenção
da criminalidade. Segundo ele, muitas pessoas se expõem
a situações de risco porque não
conhecem o comportamento dos criminosos. Para compilar
o material, o delegado passou dois anos entrevistando
48 delegados de polícia, 1,3 mil criminosos
detidos em cadeias e presídios e 1,2 mil vítimas.
As entrevistas foram feitas com criminosos e vítimas
de São Paulo e policiais de 11 estados brasileiros,
incluindo Rio Grande do Sul, Piauí, Goiás
e São Paulo.
» "Estratégias"
para evitar a violência
O especialista faz um alerta para
as recomendações não baseadas
em estudos ou pesquisas, que podem prejudicar o cidadão.
"Dicas que não partem de estudos bem feitos
podem colocar em risco a integridade física
e o patrimônio das pessoas", afirmou. Como
exemplo, ele cita a recomendação de
ultrapassar o sinal vermelho quando há pouca
movimentação nas ruas. O delegado garante
que essa não é a forma mais segura de
evitar assaltos. Segundo Lordello, a "estratégia"
adequada para evitar assaltos em semáforos
é diminuir a velocidade do veículo a
partir de uma distância de 150 metros do sinal
vermelho, deixando o carro sempre em movimento.
Assim, quando o veículo alcançar
o semáforo, a passagem já estará
permitida, o que evitaria multas, assaltos ou mesmo
atropelamentos. "Deixe que outros motoristas
assumam a posição de risco, ou seja,
a fileira mais próxima da faixa de pedestres",
disse Lordello. Segundo resultados de seus estudos,
é nessa posição que ocorrem 95%
dos assaltos realizados a veículos durante
a noite.
Outra sugestão do especialista
é restringir o uso de cartões de saque
ou de crédito e dar preferência aos cheques.
Além disso, o delegado ensina que o cliente
deve exigir que o seu banco deixe de exibir nos extratos
retirados em caixas eletrônicos o histórico
das aplicações financeiras e o limite
de crédito oferecido.
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