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São
Paulo terá radares de semáforo com visão
noturna
Portal Terrat - www.terra.com.br
Felipe Gil
A Companhia de Engenharia
de Tráfego (CET) de São Paulo tem atualmente
84 sensores de monitoramento de semáforos vermelhos
instalados em cruzamentos da cidade. Quem é
pego cruzando o semáforo paga multa de R$ 191,54
e perde sete pontos na carteira de habilitação.
No ano passado, a multa foi aplicada 157.461 vezes.
Se todas tiverem sido pagas, o valor ultrapassa os
R$ 30 milhões. A prefeitura pretende instalar
mais 40 equipamentos até março do ano
que vem. Alguns deles estarão aptos a captar
infrações à noite, o que os atuais
não fazem. Para os paulistanos, restará
o dilema entre ser multado ou assaltado.
O radialista Maurício Bouzon
Diament, 24 anos, afirma que, entre o risco da multa
e o do roubo, principalmente de madrugada, fica com
o primeiro. "Se a rua estiver deserta, não
tiver carros passando, e eu achar que há algum
risco de assalto, passo no vermelho".
Mas para o consultor de segurança
e delegado licenciado Jorge Lordello, a melhor forma
de evitar os assaltos à noite ou de madrugada
é evitar pegar os semáforos vermelhos.
"Quando você vai passar no vermelho, de
uma forma ou de outra precisa parar para olhar o cruzamento,
e aí pode acontecer a abordagem. O melhor é
dirigir focalizando os semáforos à frente
e reduzir a velocidade até que a luz fique
verde", recomenda.
A mesma orientação
é dada pelo engenheiro Luiz de Carvalho Montans,
especialista em segurança no trânsito
da CET. Ele afirma que a companhia coloca semáforos
no modo "amarelo piscante" entre as 23h
e 6h quando possível e que, nos cruzamentos
nos quais isso não pode ser feito, o ciclo
dos semáforos é diminuído para
que as pessoas esperem menos. "Não recomendamos
ninguém a passar no semáforo vermelho
porque, além da segurança, a pessoa
pode ser multada por um dos agentes", pondera
Montans.
A CET prioriza os cruzamentos com
maiores riscos de acidentes entre os cerca de cinco
mil existentes na cidade para a colocação
dos fiscalizadores eletrônicos. São poucos
diante do total, e a proporção de infrações
registradas por eles é bem menor do que a de
multas aplicadas por um dos 1,8 mil "marronzinhos".
A aposta é que os fiscalizadores
eletrônicos diminuirão a sensação
de impunidade e, conseqüentemente, as infrações.
"A população deve se convencer
de que o desrespeito à lei significa colocar
vidas em risco", diz o presidente da empresa,
Roberto Scaringella.
Passar no semáforo vermelho
foi apenas a quinta maior causa de multas no primeiro
semestre deste ano, com 86.896 registros, ou 4,3%
do total. Antes, vieram desobediência ao rodízio
(630.061 multas, ou 31,7% do total), excesso de velocidade
(563 mil multas, ou 28,3%), estacionar em local proibido
(340,8 mil, ou 17,1%) e dirigir usando o telefone
celular ao volante (122,3 mil, ou 6,1%).
Lordello destaca que, caso não
seja possível evitar o semáforo e a
abordagem ocorra, o melhor é não reagir
e nem mesmo negociar com os assaltantes. "Às
vezes as pessoas relutam em entregar um computador
por conta da informação que tem dentro,
ou uma jóia por ter valor sentimental. Isso
irrita o assaltante. É preciso saber que, naquele
momento, o que há de mais importante é
a vida".
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