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O
alvo pode ser você
Jornal
da Tarde
José Dacauaziliquá
13/03/2007
Os casos de roubo a banco aumentaram
na Capital. No dia 6 - ainda no início do mês,
o número de assaltos empatou com o primeiro
trimestre do ano passado, que registrou 29 casos.
Mas os criminosos não estão de olho
apenas nos cofres das agências. O alvo dos bandidos
também é o cliente que saca valores
altos na boca do caixa.
Os criminosos esperam a vítima
sair e atacam. Esse crime é conhecido na gíria
de policiais e criminosos como “saidinha de
banco”.
Nas últimas duas semanas,
ocorreram dois casos violentos dessa modalidade, com
tiroteio e duas vítimas feridas. Entre elas,
o agente da Polícia Federal (PF) Wagner Romano,
48 anos, que havia acabado de sacar R$ 5 mil. O policial
foi submetido a uma cirurgia de urgência para
extração de um rim e do baço.
Para o especialista em segurança
Jorge Lordello, o cliente deve evitar ao máximo
ir ao banco para sacar grandes quantias de dinheiro.
“Dentro das agências ficam os ‘olheiros’
, que monitoram os clientes que sacam valores altos
e avisam seus comparsas por celular ou sinais”,
disse.
A primeira recomendação
é de que a pessoa substitua a forma de pagamento
em dinheiro vivo por cartões de débito,
transferências (do tipo DOC e TED), cheque nominal
ou administrativo. O mesmo conselho é dado
pela Federação Brasileira dos Bancos
(Febraban).
Se o cliente não tem como
trocar a forma de pagamento, ao sacar dinheiro ele
pode se tornar uma vítima em potencial dos
criminosos. Mas, segundo o especialista em segurança,
existem maneiras de não ser mais uma vítima.
A primeira providência é evitar dias
de pagamentos e próximos de feriados. “Nesses
dias, as agências estão mais cheias,
o que facilita a ação dos ‘olheiros’
das quadrilhas. Em dias mais tranqüilos, eles
não têm tanta liberdade para ficar um
longo tempo parados sondando a próxima vítima”,
disse.
Outra recomendação
é conversar com o gerente para fazer a retirada
do dinheiro numa sala separada ou outro local distante
do atendimento ao público. Isso evita que os
bandidos vejam o caixa conferir duas ou três
vezes o dinheiro e entregá-lo ao cliente.
Procure ir acompanhado de uma ou
mais pessoas para dividir a quantia sacada. Outra
dica é falar com o seu gerente para indicar
uma agência que fica mais próxima do
destino do pagamento para realizar o saque. Isso reduz
o tempo e o trajeto que a pessoa ficará com
o dinheiro em seu poder.
» Como agem os golpistas
“Depois de pegar o dinheiro,
tem muita gente que sai do banco e vai para a rua
ver vitrine ou tomar um lanche. Isso facilita a ação
dos marginais”, disse. Lordello alerta ainda
que nem sempre os bandidos usam armas para tomar o
dinheiro na porta do banco.
“As vítimas também
podem ser atacadas sem violência por golpistas
quando deixam o banco. Os criminosos atacam com as
velhas histórias do bilhete premiado ou do
pacote de dinheiro (falso)”, explica Lordello.
“São golpes muito velhos, mas ainda tem
muita gente que cai neles. São pessoas ingênuas
ou movidas pela ganância. Ninguém dá
nada de mão beijada ”, disse.
A dica é não conversar
com estranhos e, no caso de pessoas idosas, elas devem
ir ao banco sempre acompanhadas. “Os idosos,
por sua reduzida capacidade de defesa, costumam ser
os maiores alvos”, disse Lordello.
OS DOIS ÚLTIMOS CASOS REGISTRADOS
01/03 - O agente federal Wagner Romano,
48 anos, foi assaltado por dois homens depois de sacar
R$ 5 mil numa agência do banco Itaú na
Avenida Amador Bueno da Veiga, na Penha, Zona Leste
da Capital.
O dinheiro seria usado para pagar despesas do parto
do seu filho. Apesar de ter entregue o dinheiro e
não ter reagido, levou três tiros, depois
que os ladrões descobriram que ele era policial.
Romano foi submetido a uma cirurgia de urgência
para retirar o baço e um rim. Um criminoso
foi preso.
07/03 - O advogado José Francisco
Avellar Neto, 64 anos, sacou R$ 2.320 numa agência
do Bradesco da Avenida Ibirapuera, em Moema, na Zona
Sul da Cidade. Ele parou numa lanchonete para tomar
um suco e comprar cigarro quando dois homens, que
vigiavam seus passos desde a agência, tentaram
roubar o dinheiro. Avellar Neto reagiu e só
não foi atingido porque um freguês o
empurrou. A dona do estabelecimento foi ferida com
um tiro no ombro. Os bandidos foram presos.
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