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Profissionais
liberais são alvos de ladrões
Diário do Grande
ABC
Luciano Cavenagui - 01/10/2007
O rapaz reclama de dor
de dente e quer ser atendido de qualquer maneira no
fim da tarde. A dentista, preocupada com o dever profissional,
atende mesmo sem ter hora marcada. Momentos depois
descobre que o paciente é na verdade um assaltante
ou um estuprador.
Casos com cenas semelhantes estão preocupando
cada vez mais as mulheres profissionais liberais.
Além de dentistas, advogadas, psicólogas,
arquitetas e corretoras de imóveis, entre outras,
passaram a se precaver para evitar a violência
que estão sujeitas a sofrer no ambiente de
trabalho.
Um caso recente que causou comoção
foi o assassinato da arquiteta Jamile de Castro Nascimento,
24 anos, morta em julho na Vila Mariana, na Zona Sul
da Capital, pelo porteiro Jadson dos Santos, 32.
Especializada em avaliação de imóveis,
Jamile tinha ido ao local para avaliar por quanto
poderia ser vendido um dos apartamentos.
Pensando nesse tipo de problema, o consultor em segurança
Jorge Lordello, delegado licenciado, irá lançar,
no começo do ano que vem, um livro com dicas
de prevenção para mulheres no trabalho.
“Entrevistei cerca de 250 mulheres, das mais
diversas profissões, e colhi relatos sobre
o que elas passaram no trabalho. Não só
profissionais liberais, mas também casos de
assédio sexual dentro de empresas ou em casas,
como empregadas domésticas”, afirmou
Lordello.
As sugestões no livro estarão divididas:
mulheres que possuem escritórios ou consultórios,
que trabalham em empresas ou residências (casos
de assédio sexual) e aquelas que visitam imóveis,
como corretores e arquitetas, por exemplo.
Dicas - “Existem dicas específicas para
cada tipo de ambiente. Espero que a publicação
possa contribuir para a redução dos
casos e para fazer com que as mulheres fiquem mais
cuidadosas”, disse o consultor.
As estatísticas ainda são muito imprecisas
sobre o assunto, especialmente por causa da subnotificação.
“Estima-se que 80% das mulheres que sofrem
violência do tipo não registram na delegacia.
Sequer contam para familiares ou amigos por causa
da vergonha ou com medo de perder o emprego”,
disse a delegada responsável pela DDM (Delegacia
de Defesa da Mulher) de Diadema, Maria Angélica
Cruz.
A dentista G.L.C., 31 anos, ficou tão traumatizada
com um assalto ao seu consultório, no bairro
Assunção, em São Bernardo, que
ficou com Síndrome do Pânico e foi obrigada
a mudar para outro imóvel.
Durante o roubo, ela e sua irmã ficaram trancadas
por duas horas no banheiro, enquanto dois ladrões
limpavam o consultório.
“Era final de expediente, por volta das 17h,
quando um deles entrou reclamando demais de dor nos
dentes. Quando veio para minha sala, sacou um revólver
e apontou para minha cabeça. Eu tremia tanto
que não esboçava nenhuma reação”,
afirmou a dentista.
Atualmente, no novo local de trabalho, no mesmo bairro,
G. montou um aparato de segurança que antes
não tinha: portas com grades, câmeras
de monitoramento e alarmes.
“Não atendo paciente desconhecido de
jeito nenhum. Agora, para entrar no consultório,
o visitante tem de passar por duas portas travadas.
Só eu tenho o controle para abri-las, não
deixo nem com a minha secretária. Também
tirei meu nome da placa da rua”, contou a dentista.
“Até hoje tenho pesadelos sobre o que
passou. Só de lembrar, fico totalmente em pânico”,
afirmou a moradora de São Bernardo.
Advogada é ameaçada por ex-marido violento
de cliente
A advogada Marilza Nagasawa, diretora da OAB (Ordem
dos Advogados do Brasil) de Diadema, quase teve de
utilizar as artes marciais de seus ancestrais contra
um ex-marido de uma cliente que invadiu seu escritório.
“Eu estava atendendo a ex-mulher dele, que
se separou justamente por causa das agressões.
Esqueci de fechar a porta do escritório e ele
não teve dificuldade em entrar. Primeiro queria
bater na ex-mulher. Depois, queria me agredir também”,
contou a advogada, que atendia, no ano passado, em
um escritório no bairro Paulicéia, em
São Bernardo.
“Fiquei me escondendo atrás da mesa
do escritório. Depois, tive de pegar uma cadeira
para empurrar o sujeito em direção à
escada. Consegui me afastar, com a ajuda da ex-mulher,
e telefonar para a polícia”, disse Marilza.
“Até na delegacia ele fez agressões
verbais a mim. Depois dessa, nunca mais deixei o escritório
aberto. Atualmente, também, só atendo
clientes com alguma indicação. Todos
os cuidados são necessários para garantir
a segurança”, disse a advogada.
Marilza faz questão de contar às colegas
a situação que passou e alertá-las
quanto ao perigo que as mulheres podem passar quando
ficam sozinhas nos locais de trabalho.
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