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Em
20 dias, SP teve três mortes em assaltos em
semáforos
Portal Estadão
Felipe Grandin e Naiana Oscar - 03/09/2007
Parar no farol virou motivo
de pânico na capital; dica é não
reagir à ação do ladrão
e evitar dirigir sozinho

SÃO PAULO - A cada
nova ocorrência, parar no farol vira motivo
de pânico. Só nos últimos 20 dias,
três pessoas morreram durante assaltos em semáforos
na Grande São Paulo. Tamires Burlani, de 19
anos, foi assassinada com um tiro no rosto, em Diadema,
no dia 13. No dia 24, o universitário Renato
Inácio Arias, de 23 anos, foi baleado na cabeça
em Santo André. Na última segunda-feira,
um guarda-civil metropolitano matou com quatro tiros
o ladrão que tentou assaltá-lo em um
farol da Avenida Washington Luís, na zona sul
da capital.
A Secretaria da Segurança
Pública e a Polícia Militar não
sabem informar quantos crimes ocorrem por dia nos
semáforos da região metropolitana. "É
uma demonstração de que as autoridades
ainda não perceberam a gravidade da situação",
observa Guaracy Mingardi, pesquisador do Instituto
Latino-Americano das Nações Unidas para
Prevenção do Delito e Tratamento do
Delinqüente.
Segundo o pesquisador, as polícias deveriam
ter estatísticas constantes (e integradas)
sobre esses crimes e um planejamento para combatê-los.
Mingardi diz que a burocracia do poder público
faz com que as ações cheguem sempre
tarde demais. "No caso dos crimes em semáforos,
não é a pessoa que tem de se virar,
é o Estado que deve resolver."
A maioria desses criminosos é iniciante, sem
preparo ou controle emocional para lidar com situações
de estresse, o que os torna ainda mais perigosos.
"Eles ficam tão ou mais assustados que
as vítimas", afirma o consultor Jorge
Lordello, que entrevistou 150 marginais envolvidos
em crimes no semáforo e mais de 300 vítimas,
além de analisar centenas de boletins de ocorrência
desse tipo de crime.
» Reação
Na pesquisa, Lordello concluiu que
a pior atitude da vítima durante o assalto
é reagir. "Em 90% dos casos, quem reage
leva um tiro ou é morto", diz Lordello.
Foi o que aconteceu com Tamires e Arias. Com ou sem
intenção, os dois reagiram e acabaram
assassinados. "Na maioria das vezes o marginal
atira sem querer", completa Costa. Por isso,
a atitude correta da vítima é ainda
mais importante. A recomendação é
não discutir, entregar todos os pertences e
tentar manter a calma, por mais difícil que
seja. "É uma situação de
fogo. Ou você joga água ou gasolina",
diz Lordello.
Segundo a Polícia Militar,
o combate a assaltos em faróis será
reforçado em breve com o Programa de Policiamento
de Trânsito. Cerca de 1 mil policiais vão
se dividir em 156 pontos estratégicos , das
7 h às 10 h e das 16 h às 19 h. Nos
outros horários circularão por outros
700 pontos. O banco de dados da polícia fez
uma classificação genérica desses
crimes. "Estamos criando uma ferramenta para
acompanhá-los", disse o tenente Emerson
Massera do Comando de Policiamento da capital. Ele
afirma que as 102 companhias controlam individualmente
o registro desses crimes.
Confira as dicas de especialistas para reduzir o
risco de assaltos em semáforos fornecidas pelo
consultor Jorge Lordello:
1 - Evite parar perto do cruzamento na faixa à
esquerda
2 - Nunca desafie o ladrão, como pedir para
ele mostrar a arma, por exemplo
3 - Nunca reaja: não toque buzina, acelere
ou faça menção de que vai tentar
escapar
4 - Não exiba jóias e relógios
5 - Evite dirigir sozinho, fique atento e mantenha
o vidro fechado
6 - Prepare uma carteira com notas de pouco valor
e cartões vencidos para entregar ao bandido
7 - Reduza a velocidade quando o farol estiver fechado,
para não parar
8 - Lugar de pastas e bolsas é no porta-malas
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