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DR. LORDELLO NA IMPRENSA

Leitores criticam, mas especialistas apóiam dicas de delegado para evitar seqüestros-relâmpago
O Globo On-line
Luisa Valle e Eduardo Almeida - 04/10/2007

RIO - Os leitores do GLOBO ONLINE fizeram duras críticas às dicas do delegado da 16ªDP (Barra), Carlos Augusto Pinto, para evitar sofrer um seqüestro-relâmpago. Na manhã desta quarta-feira, um empresário quase foi vítima do crime . O argumento usado pela maioria é de que o papel da polícia é proteger a população, e não "escrever cartilha no jornal de como devemos proceder para tornar nossas vidas aqui no Rio um pouco mais segura", como disse o internauta Alexandre Rodrigues Lopes. A polêmica surgiu após os recentes casos de seqüestros-relâmpago dentro do condomínio Novo Leblon . Na última semana, a gerente-geral do condomínio admitiu que é difícil fazer o controle de entrada e saída de pessoas do local. ( Leia mais comentários de leitores ) Especialistas em segurança, no entanto, defenderam as orientações dadas pelo delegado.

Garantir a segurança da população não é um dever apenas do Estado, mas do cidadão também. Essa é a opinião da pesquisadora do Núcleo de Pesquisa das Violências (Nupevi) da Uerj, a antropóloga Alba Zaluar. Para ela, não adianta entregar nas mãos do governo toda a responsabilidade, é preciso que a sociedade faça a sua parte.

- A Constituição de 1988 diz que a Segurança Pública é um dever do Estado e uma responsabilidade de todos. São as duas coisas, cada um tem que fazer a sua parte, as pessoas têm que pensar nisso, raciocinar diante desse quadro de violência - disse. " Não está errado a polícia dar dicas de segurança para a população, mas não é suficiente ".
A antropóloga, no entanto, lembra que não bastam dicas para fazer uma política de segurança pública eficiente:
- Não está errado a polícia dar dicas de segurança para a população, mas não é suficiente. Não deve dar a impressão de que a culpa é da população. Obviamente que a polícia deve estar presente em locais perigosos, mas ela também não pode estar em todos os lugares, adivinhar sempre que acontece um crime. Os vizinhos também devem colaborar.

» Cartilha ajudou a diminuir furtos no metrô de São Paulo

O delegado licenciado de São Paulo, Jorge Lordello, que é especialista em segurança, concorda que a segurança pública é dever de todos. Ele afirma que a polícia, o cidadão e as empresas devem fazer a sua parte e cita um caso ocorrido em São Paulo como exemplo.

- Em São Paulo, tínhamos registrados por mês no metrô 800 furtos de carteira. Os malandros com habilidade surrupiavam a carteira de uma mulher e ela não percebia. Aí o metrô fez uma campanha de conscientização de segurança, dando cartilhas aos usuários. Em 90 dias, o número de ocorrências caiu para 320, mostrando que a informação faz com que a pessoa se proteja mais.


» "Pessoas que adotam atitudes preventivas, correm menos riscos"

Lordello informa que o seqüestro-relâmpago nasceu em São Paulo e se espalhou pela América Latina. Ele alerta para uma nova modalidade, quando os bandidos verificam se a pessoa tem alguma aplicação e faz transferências a partir do próprio caixa eletrônico. Para esses casos, o ex-policial dá algumas orientações. Segundo ele, é importante não carregar muitos cartões, cadastrar senhas de cartão de crédito, pedir ao gerente do banco que informações de aplicações e cheque-especial não apareçam na tela do caixa eletrônico e ter sempre algum dinheiro na carteira para pequenas compras.

- Pessoas que adotam atitudes preventivas, correm menos riscos. Se você não tiver cadastrado a senha, isso aumenta a angústia do marginal que pode até te matar. E andar com pequena quantidade de dinheiro para compras na padaria, por exemplo, evita a clonagem do cartão.

 


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